Mostrando postagens com marcador Paulo Ricardo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo Ricardo. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de setembro de 2010

Bizz número 2 - RPM - "Progressivo é a mãe!"

 
´PROGRESSIVO É A MÃE!´

    Logo após ser lançado, o primeiro LP do RPM se tornou um dos maiores sucessos do ano. As críticas só elogiaram. "De acordo com dados não oficiais", como afirma o tecladista Luís Schiavon, vendeu sete mil cópias logo na primeira semana.

    O disco é bem variado e tem excelente trabalho de produção. O tecladista diz que sua banda "é rica porque cada um teve uma experiência diferente".
    O grupo usou bem estas diferenças, experimentando efeitos e utilizando ao máximo os recursos técnicos de gravação. Gravou bateria eletrônica no corredor do estúdio, para chegar ao som adequado; gravou guitarra com velocidade dobrada e até um quarteto de cordas, com violino, cello, baixo e viola sintetizados.
    Sintetizador é uma coisa que Luís conhece. Além de treze anos de convivência com os teclados em conservatório, já tocou muito tecnopop. Até teve uma banda com Lucas Shirahata, a Solaris, que apenas uma vez colocou em palco seus onze sintetizadores.
    O tecnopop e ainda o progressivo permeiam o LP, da dançante "Louras Geladas" à lenta e acústica "A Cruz e a Espada" (com veteranos como Roberto Sion na clarineta e o produtor do disco, Luiz Carlos Maluly, no violão). Mas o grupo rejeita com veemência certas qualificações: "Já estou cansado desta história. É progressivo o escambau! O progressivo não teria uma bateria como esta nunca. Há só uma sofisticação de arranjo comum ao progressivo", protesta Luíz.
    "Também não somos tecnopop", prossegue ele. "Meu conceito de tecnopop é o de uma coisa absolutamente apoiada no uso de instrumentos eletrônicos. Mas nós temos oito faixas com baterias do Paulo Pagni, dez faixas com o baixo do Paulo Ricardo e guitarra em todas."
    Um dos pressupostos do RPM, define seu tecladista, "é a experimentação. A gente se permite testar". E se na música funciona assim, os sons vem acompanhados das boas imagens criadas por Paulo Ricardo. Um ex-crítico de música, Paulo canta desde os sete anos e faz poesia desde os treze. Cansou de escrever sobre a música dos outros e, depois de uma viagem pela Europa, chamou Luís e fez o RPM. A estréia se deu em maio do ano passado, na abertura da apresentação do Ira! Na época o grupo era formado por Luís, Paulo Ricardo e Fernando Deluqui (conhecido de Luís quando os dois acompanhavam May East). Na bateria estava Júnior, com seus quinze anos.
    Paulo Ricardo gosta de poesia, de imagens: "Gosto de chamar atenção sobre coisas que estão acontecendo quando acho que elas são úteis. Gosto de palavras não usuais, como álcool, provocante butterfly, paiol de bobagens, Moscou, Nova York, Tel Aviv. São imagens."
    Trabalhando com estas imagens, o RPM saiu do primeiro show para um mergulho no circuito underground paulistano.
    Mas em outubro de 84 as coisas começaram a mudar. A banda mandou uma fita para a CBS e concorreu por uma vaga na coletânea Rock Wave. Conseguiu. E, de quebra, ainda foi aprovada para gravar um compacto.
    Com o disco na rua, a banda passou a tocar por todas as danceterias do Rio e São Paulo. "Louras Geladas" ia aparecendo nas FMs. O outro lado do compacto, "Revoluções por Minuto", tropeçou na Censura e teve execução pública proibida. A Censura alegou incitação ao uso de drogas pelos versos "Agora a China bebe Coca-Cola/ aqui na esquina cheiram cola".
    Em fevereiro deste ano o grupo apareceu em sua formação atual. Júnior tinha saído antes mesmo do compacto, gravado com computador rítmico. Enquanto em seu lugar Paulo Pagni, que já tocou numa banda de jazz-rock e foi professor de bateria.
    Após meses com a mesma formação e com um hit nacional, a banda já pôde reconhecer com clareza o estado atual do rock e sua posição frente a ele. "O Brasil está descobrindo o rock. É uma coisa naciona", considera Luís. "Existem grupos nacionais. O que há são estilos diferentes".
    Paulo Ricardo emenda, classificando alguns estilos: "O Roger do Ultraje é um explícito debochado. Já o Renato Russo da Legião Urbana é um explícito sério. Eu sou implícito, lírico. Gosto de coisas dúbias, como "Louras Geladas".
    O RPM se considera um grupo de palco e pretende fazer um música que agrade tanto aos ouvidos underground quanto aos ouvintes de FMs e freqüentadores de danceterias. "Queremos conciliar o popular e o sofisticado. A gente sempre fica na corda bamba. Entre o brega e o não vendável", argumenta Luís.
    "Há um ano", completa ele, "iriam rir da nossa cara. Agente tem que ocupar espaço. Tenho um pouco de bode deste pessoal que se julga o melhor e não vai a luta".

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bizz número 2 - Showbizz II

 
MOVIMENTAÇÃO DE ESTÚDIO

    Ainda em setembro serão lançados os LPs de Vinícius Cantuária (Odeon), e Tokio, ex-Som Livre, atualmente na CBS. O primeiro LP da banda deverá ter músicas de Kiko Zambianchi e Paulo Ricardo (RPM). O selo punk independente Ataque Frontal virá com uma coletânea dos grupos: Cólera, Ratos de Porão, Virus 27, Grinders, Garotos Podres, Lobotomia, Armagedon, Desordeiros, Auschwitz e Spermogramix.
    Em outubro sairão Ritchie e Pepeu Gomes (CBS), Erasmo Carlos (Polygram), Degradê (Continental), Absyntho (RCA), Luclano e Grupo Flash e Sara Jane (Odeon). O LP de Sara também terá música de Kiko Zambianchi.

DOLBY MONTA SUPERGRUPO

    Depois de reger a banda de David Bowie no Live Aid de Wembley, o tecnotecladista Thomas Dolby prepara um LP e uma excursão com uma supersuperbanda. Nos vocais: Lene Lovich (se você não conhece, dizem que Nina Hagen chupou tudo dela). No instrumental, os sopros dos Brecker Brothers, o maestro funk George Clinton e membros do Earth, Wind & Fire. O grupo se chama Dolby´s Cube e já tem um compacto lançado lá fora, com as músicas "May the Cube Be With You" e "Googooplexus".

VISITA ILUSTRE

    Uma banda da vanguarda novaiorquinha estraçalhou na antologia "No Wave", produzida em 79 por Brian Eno.
    Era a DNA. Seu líder, Arto Lindsay, um grande conhecedor da musica brasileira - calhou de ter nascido por aqui, embora educado nos EUA - esteve recentemente no Rio para agitar o lançamento do disco de seu novo grupo, os Ambitious Lovers.
    O disco chama "Envy".

METAL AID

    O espírito beneficente dos roqueiros engrossa a cada dia. Agora é a vez aos metaleiros interna- cionais - numa reunião já apelidada de "Metal Aid" - com um compacto cuja renda será revertida para as vitimas da tragédia ocorrida em Bruxelas, na finalíssima da Copa dos Campeões.
    A música, chamada "Sport Alive", já havia sido composta pela banda alemã Jump e nesta versão all-stars conta com a participação de membros dos grupos Motorhead, Slade, Uriah Heep, Girlschool, Rock Goddess, do próprio Jump e da usina de pauleira italiana Scalpi.

OS FAVORITOS DA MTV

    Em 84 a MTV (a FM televisiva americana) instituiu o Oscar do videoclip - Annual MTV Video Music Awards - e os Cars foram premiados na categoria principal.
    Este ano, na categoria melhor clip, dificilmente "We are the World" será batido. Bruce Springsteen e Dave Lee Roth estão pau a pau em melhor clip masculino. Na ala feminina, Madonna vem seguida de Cyndi Lauper, Tina Turner e Sade Adu.
    Na festa de premiação, dia 13 de setembro, fica ainda decidido se Julian Lennon leva o prêmio de melhor artista jovem, Bruce - de novo - em melhor atuação de palco, e Frankie Goes to Hollywood o de melhor idéia. O video de Frankie pode dar também a melhor direção para os magos Godley e Creme.

ÚLTIMOS LANÇAMENTOS EM VÍDEO


    Acaba de ser lançado lá fora o video do show do Queen no Rock in Rio. Editado pela Picture Music Internacional com o titulo Live in Rio, dura uma hora e tem dezesseis músicas. Outro lançamento é Ricochet (Jem Music, 59 min.), documentário sobre a turnê 83 de David Bowie - a mesma cujo show estará registrada no video The Serious Moonlight Tour. Por último, uma especiaria independente: The Vialets Video, com os loucaços March Violets, banda inglesa da mesma safra de The Cult e Sisters of Mercy. A fita inclui o genial hit (nas paradas independentes inglesas, claro) "Grow Baby".

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Bizz número zero - RPM

RPM

    "Agora a China bebe coca-cola, aqui na esquina cheiram cola."
    Por causa destes versos a música Revoluções por Minuto, do grupo 8PM, foi proibida de tocar nas rádios. A alegação da Censura: ela incitaria o uso de drogas.
    No outro lado do compacto estava Loiras Geladas. Lembra? Esta toca muito. Já tem videoclip, foi cantada no Chacrinha e também faz parte do primeiro LP da banda, que acaba de ser gravado.
    O percurso não foi fácil. Se hoje o RPM tem o camarim da Pool invadido por 30 garotas de mais ou menos doze anos, à caça de autógrafos, é porque houve muita batalha.
    Em maio do ano passado a banda dava seu primeiro show. Foi chamada para abrir o espetáculo do grupo pós-punk IRA na inauguração do videoclube Zoom Cósmico, em São Paulo.
    Depois o grupo passou a tocar pelo circuito underground da cidade: abriu o show do Ultraje na Tífon, carregou instrumentos para tocar nas danceterias paulistas Clash e Madame Satã, levou calote de dono de bar e chegou a dar vários shows na mesma noite.

    Popular e sofisticado
    Em outubro as coisas começaram a mudar. A banda mandou uma fita para a CBS e concorreu por uma vaga na coletânea Rock Wave. Conseguiu e, de quebra, ainda foi aprovada para gravar um compacto.
    O disco saiu e a partir daí o grupo passou a tocar pelas danceterias de São Paulo e do Rio.
    "Somos uma banda rica porque cada um teve uma experiência diferente", segundo a definição de Luís Schiavon, o tecladista. "Ficamos o tempo todo reciclando informação."
    Paulo Ricardo, ex-jornalista, é baixista, canta desde os sete anos e já formou várias bandas. Cansado de escrever sobre a música dos outros e, depois de uma viagem pela Europa, chamou Luís Schiavon, com quem já tocava desde 1979. Os dois começaram a compor e monta-ramo RPM.
    Luís estudou 13 anos em conservatório e já tocou muito tecnopop. Acompanhava Mae East (ex-Gang 90) quando conheceu Fernando Deluq, "uma guitarra mais ou menos punk".
    Esta guitarra vem do tempo em que Fernando estava no Ignose, uma banda paulista, e fazia shows no Napalm e no porão do Persona em São Paulo. Ele toca há seis anos e é parceiro de Mae East em Fire in the Jungle e Índio, músicas que acabam de ser editada na Holanda.
    Em fevereiro, Paulo Pagni, que toca há muito tempo e é professor de bateria, tornou-se o novo baterista da banda. Antes do disco, gravado com computador rítmico, o RPM era acompanhado por Júnior, de quinze anos.
    A banda se considera um "grupo de palco" e pretende fazer uma música que agrade tanto aos ouvidos underground do Satã, quanto aos dos ouvintes de FM e freqüentadores das danceterias: Queremos conciliar o popular e o sofisticado, temos que encontrar um equilíbrio".

    FM numa boa
    Mas será que depois de Chacrinha, videoclip e LP não teremos uma nova banda de FM? Eles mesmos respondem: "A gente não assumiu o padrão da moda, entramos com o nosso papel. A gente não muda, até já chegamos a ser recusados por gravadora. As armações têm tempo contado. No LP há pelo menos três músicas que se dariam bem em FM. Mas, se a gente não gostasse, não tocava".
    O disco vem bem variado. Tem as músicas do compacto. Um tecnopop sobre rádio pirata, quarteto de cordas sintetizado, balada. E só conferir.