Mostrando postagens com marcador Titãs. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Titãs. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bizz número 2 - Showbizz III

O CENTENÁRIO DE UM PIONEIRO

    Jelly Roll Morton falava pelos cotovelos. Dizia ter inventado o jazz em 1902 e não perdia uma chance de desancar seus colegas pianistas como Duke Emngton e Fats Waller. Esta figurinha controvertida, que morreu em 1941 e que, se vivo, faria cem anos no dia 20 de setembro, foi uma espécie de pioneiro na arte de levar músicos de jazz a criar arranjos orquestrais, em substituição à improvisação reinante. Seu trabalho como compositor e pianista pode ter sido superestimado, e sua fama repousa sobre gravações feitas entre 1026 e 1930. Mas sua influência sobre a música que se fez após estas gravações é inquestionável.

FESTIVAL FM DÁ DÓ

    Desorganização e desrespeito a um público pequeno e interessado apenas em sucessos de FM. Eis o São Paulo Rock Show e MPB promovido pela Rede Bandeirantes de 26 a 28 de julho em Interlagos.
    O esquema foi montado especialmente para a TV, com o show interrompido o tempo todo por comerciais e entrevistas. O público, obrigado a levantar toda vez que a câmera se virava para ele, escutava um apresentador confundindo Walter Franco com Jorge Mautner e outro, bêbado, levando bronca em pleno palco.
    Os sucessos ficaram por conta de nomes famosos e freqüentadores de FM. Na sexta Tim Maia. No sábado à tarde, Dr. Silvana e companhia. E à noite, Robertinho do Recife, Baby e Pepeu. No domingo, todos dançaram ao som de Herva Doce e Titãs.

PONTE AÉREA PARA AS ARTES

    Os cariocas invadiram as avenidas paulistas e os paulistanos tomaram de assalto às praias do Rio entre 8 e 20 de julho no projeto Conexão Urbana.
    Em São Paulo o evento aconteceu na Estação Madame Satã.Além das artes plásticas espalhadas por todo espaço e das leituras de poesia, a conexão trouxe o som da Rádio Fluminense FM de Niterói sob o comando do disc-jockey Maurício Valladares. Entre as bandas, o destaque ficou com o grupo Lado B.
    Já no Rio, as bandas paulistas não puderam tocar. O show de encerramento com os grupoS Voga, Basculantes, Ecossistema e Akira S e as Garotas que Erraram não aconteceu porque as luzes do Circo Delírio foram cortadas. Mas os cariocas viram as exposições de artes plásticas, foto, cinema, vídeo, dança, teatro, poesia e performan-ces.
    Inesquecível a apresentação da futurista "Eletro-Performance" de Theo Werneck, com muito baixo e bateria da banda Akira S. & as Garotas que Erraram. Ao final, aplausos super entusiásticos para a única apresentação a contar com a presença de uma banda.
MICHAEL JACKSON TRIDIMENSIONAL

    Há mais semelhanças entre Michael Jackson e Mickey Mouse e que o fato de os dois usarem luvas brancas. Jackson também vai fazer parte da galeria de tipos dos parques Disney. Sob a direção de Francis Ford Coppola e produção de George Lucas, ele vai ser o personagem de Capitão Eo, um filme em três dimensões de cerca de 12 minutos, que pretende falar de Disney como inovador técnico agora e no futuro, com estréia prevista para o ano que vem no Pavilhão Kodak da Imaginação no Epcot Center.

PUNKS MAIS PARA LÁ DO QUE PARA CÁ

    O grupo punk paulistano Cólera embarca,no inicio de 86, para a Europa. Um compacto com três musicas suas esta sendo editado na Bélgica, e é com a renda de sua vendagem que eles farão uma turnê por sete países do Velho Mundo.
    A viagem dá seqüência ao intenso intercâmbio mantido pela tribo. Nas paradas independentes de agosto, na Inglaterra, figura - por exemplo - o compacto duplo do Olho Seco, que leva apenas o nome da banda. Além disso, desde o ano passado essas duas bandas mais os Inocentes e os Ratos do Porão têm faixas editadas em coletâneas da Inglaterra, Alemanha e EUA.

UM DISCO PARA RAUL

    O fã-clube do Raul Seixas saiu na frente e pro-duziu um LP com o melhor da carreira de seu ídolo, O disco pode ser encontrado nos sebos paulistas ou pela CP 12106 (SP).

AO ESPOUCAR DO CHAMPAGNE

    Modéstia parte, as festas de lançamento da BIZZ em São Paulo (22 de julho), Rio (24 de julho) e Porto Alegre (02 de agosto) foram um arraso.
    Em São Paulo, os grupos Titãs e Sossega Leão e o mestre dos discotecários bandeirantes, Mr. Arthur Veríssimo, chacoalharam os três mil presentes á Pool Music Hall.
    No Rio, presença maciça do público, e o palco do Mistura Fina da Barra assaltado pela e Legião Urbana e Hojerizah. Em Porto Alegre o proprietário da danceteria Ovo de Colombo dizia nunca ter visto "algo assim" -    as portas tiveram que ser fechadas ás três horas, por motivos de segurança, e os últimos festeiros só debandaram lá pelas cinco e meia da manhã.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Bizz número 1 - Titãs na TV

 
TITÃS NA TV

    30/4 - Perdidos na Noite
    No camarim, próximos a Eduardo Araújo, os oito Titãs são abordados por Lúcia. fundadora de seu fã-clube. Distribuição de chocolates e chicletes para todos.
    No palco, fala o imenso apresentador Fausto Silva: Um programa ensaiado no ar". É verdade, O monitor volta a pifar, um amplificador está queimado e a produção perdida. "Acertou o som aí? Ao vivo, Titãs no Perdidos na Noite!! Primeiro lugar no concurso de marionetes!"
    E entra no ar uma raridade no circuito televisivo: eles tocam ao vivo mesmo, sem playback. De uma só enfiada: Autonomia" e "Televisão" (do novo LP) mais "Toda Cor" e Sonífera Ilha". Apesar da aparelhagem não corresponder e mesmo com as vaias de alguns metaleiros presentes - são muito comerciais", é a queixa de um deles - a platéia canta com Paulo a última música.

    2/5 - Porque Hoje É Sábado
    O grupo chega e vai ´fritar" Ou seja. esperar pela gravação na lanchonete. Lá. um dos produtores do programa pede pela presença de um Titã até o final, quando haverá um debate com a sexóloga Maria Helena Matarazzo.
    Ao começar a gravação, Branco é o único a deixar a lanchonete para sentar-se, no estúdio, ao lado do veterano cantor Pery Ribeiro. Os outros sobem mais tarde e flagram, através de um monitor, o diretor de pornochanchadas Davi Cardoso dissertanto sobre pornografia e malufismo.
    Charles vai dublar de pandeiro na mão: "Aqui o playback é muito baixo e a bateria acaba soando mais alto que a música.
    Um apresentador formal, o sr. J. Silvestre: "O sucesso de hoje aqui está. Nossos aplausos para o grupo Títãs". Entra o playback de "Toda Cor" e a pequena platéia se anima.
    E o tal debate sexológico´? Fugiram todos.

    3/5 - Hebe Camargo
    Lá vem o playback de "Toda Cor". É a última vez que fazem esta música na TV. Mais uma vez, o baterista Charles reduz o arsenal para um pandeiro.
    Enquanto isso, Branco canta coladinho na apresentadora: "Eu preciso de você agora/ por favor meu bem, não vá embora". As gargalhadas de Hebe estão alguns decibéis acima da música, o que provoca alguns gritos da produção: "Arranca o microfone dela!!!"
    Até a última nota, o auditório engrossa o coro dos Titãs. Quando eles já deixaram o palco, a apresentadora ainda está tomada por seu acesso de riso: "Vocês viram só que aula de ginástica? Muito engraçado".

    26/5 - Cassino do Chacrinha
    A Kombi da produção vem buscar o grupo no hotel. Antes de entrarem no teatro, clic - uma pausa para fotos com as fãs. Lá dentro, são submetidos a uma longa sessão de maquiagem: rostos brancos e batom vermelho compõem um estilo new circense.
    Ao brado do sr. Abelardo Barbosa - "Titããss!!" -´ soltam o playback de "Insensível". O volume ensurdecedor recebe ainda a contribuição de uma sirene, dos berros da claque e da platéia. Longe do rebolado das chacretes, um assistente de câmera está desesperado para conseguir enquadrar todos os oito em sua mirabolante coreografia.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Bizz número 1 - Discos/Lançamentos




    FOGO CRUZADO
    SP METAL II - Abutre, Performances, Korzus e Santuário.
    A FERRO E FOGO - Harppia (Baratos Afins)

    Aperte os cintos porque lá vem pauleira. Juntos, estes grupos formam a novíssima geração do heavy metal paulista. Separados, são indistinguíveis entre si. Todos eles repartem uma obsessão comum por imagens apocalípticas e pela mais densa massa sonora que consigam gerar. É possível perceber influências de absolutamente todas as bandas heavy do mundo e, portanto, fica difícil extrair uma identidade própria de cada grupo. O Harppia, por exemplo, é a cara do Iron Maiden. Será que ninguém consegue inventar um heavy diferente?

    A DAMA E O VAGABUNDO
    GET BACK - Ike & Tina Turner (EMI-Odeon)

    Quando Tina abandonou o marido e partner lke Turner, estava dando o mais importante passo de sua vida. Como pessoa, libertou-se do jugo de um homem possessivo e violento; como artista, livrou-se da bitolação de lke, que odiava o rock´n´roll que Tina sempre amara. Agora que Tina é uma estrela multiplatinada, a grande dama negra do rock, sai esta compilação do melhor de sua carreira com Ike. É imperdível para quem só conheceu Tina a partir do álbum Private Dancer. Detalhe; todo o brilho de Get Back pertence a Tina. Ike, com o passar dos anos, continua bem vagabundinho.

    SENHOR DO TROVAO
    SHAKEN´N´STIRRED - Robert Plant (WEA)

    Os fãs do Led Zeppelin não esquecem essa voz nórdica, tão potente que parece saída do próprio Deus do Trovão, Thor. Combinada à guitarra lancinante de Jimmy Page, ao baixo coruscante de John Paul Jones e à bateria locomotiva de John Bonham, a voz de Robert Plant era parte de um dos melhores e mais influentes grupos de rock de todos os tempos. Hoje, a carreira solo de Plant não é um mero filhote" do Zep. Seu som é mais sofisticado, mais variado, uma boa aula de rock na meia-idade. Só não é menos tonitruante. que o som do Zep. Basta conferir a explosiva "Hip Ro Hoo".

    INTELIGENTE BOBO-DA-CORTE
    CRAZY FROM THE HEAT - Dave Lee Roth (WEA)

    Primeiro, um aviso; este disco não tem nada a ver com o Van Halen. Embora Dave Lee seja um sócio-fundador do quarteto, este seu primeiro disco solo passa bem longe do big rock de sua banda. Ao contrário, ele preferiu se divertir com músicas tradicionais do pop norte-americano, como "California Girls", dos Beach Boys (atente para os vocais do próprio Brian Wilson, compositor da música) e "Just a Gigolo". Porém ele não se esqueceu de injetar seu sarcasmo e seu espírito de bobo-da-corte em cada faixa. Só que agora ele soa muito mais inteligente do que era esperado deste confesso bufão.

    CABEÇAS SIMPLES
    LITTLE CREATURES - Talking Heads (EMI.Odeon)

    Controvérsia é o mínimo que Little Creatures pode causar. Depois de ter explorado as possibilidades da música africana, depois de meses a fio transmutado num octeto funk, depois de ter encabeçado a vanguarda rock, o Talking Heads descascou todas as camadas de influências acumuladas através dos anos e assumiu a mais simples (simplória?) de suas identidades: é, de novo, um econômico quarteto (participam apenas alguns músicos convidados, como Naná Vasconcelos). E faz músicas simples, sem maiores elocubrações, com letras simples. Pros acostumados à sofisticacão de clássicos do Heads (Once in a Lifetime", por exemplo), este disco é um susto. Pros menos irritados, cresce a cada audição.

    PLIM PLIM
    TELEVISÃO - Titãs (WEA)

    Ligue seu aparelho de TV e ponha este álbum no toca-discos, É a trilha sonora adequada para a telinha-que-hipnotiza-e-emburrece-enquanto-diverte. Televisão brinca com os clichês da comunidade tela videota como nenhum disco conseguiu antes no Brasil e amplia o alcance dos Titãs de uma forma notável. Eles passeiam pelo reggae, pelo brega, pelo funk - sempre com desenvoltura - até chegarem ao climático final de "Massacre", um rugido de microfonias que comenta Jornal Nacional., em italiano.

    MARCANDO PASSO
    1984 -Eurythmics (RCA)

    Esta é a trilha sonora original do filme 1984. Mas não espere ouvi-la no cinema. É que, na última hora, o diretor Michael Radford resolveu trocar o trabalho de Anuie Lennox (vocais) e Dave Stewart (guitarras e teclados) pelo de outro compositor. Mesmo assim o disco saiu e não se segurou sozinho. Divorciada das imagens do filme, a trilha pouco tem a ver com o restante da carreira dos Eurythmics. Vale apenas enquanto não chega Be Yourself Tonight, o sensacional novo álbum da dupla, cujo carro-chefe, "Would I Lie To You" é simplesmente um estraçalhante funk à la Motown. Até lá, só nos resta marcar passo.

    QUÁ, QUÁ, QUÁ
    COMO E BOM SER PUNK - Língua de Trapo (RGE)
    O MELHOR DOS IGUAIS - Premeditando o Breque (EMI-Odeon)

    Fazer rir é difícil. Em música, então, nem se fala. O Premê e o Língua de Trapo são dos poucos grupos que fazem músicas para rir. E fazem bem.
    A versão atual do Premê é mais polida, mais "profissional", graças ao dedo experimentado do produtor Lulu Santos. E gozado, tal e coisa, mas é um gozado quase erudito para quem está acostumado a ter verdadeiros espasmos de gargalhadas. Falta escracho.
    Que há de sobra na última fornada do L.D.T.; gozações descabeladas que não poupam ninguém. Da doce valsa "Como É Bom Ser Punk" ao "Samba-Enredo da TRP" ("hoje sou fascista na avenida, minha escola é a mais querida/ Dos reaça nacional") é riso só.

    RE-VISÃO
    RÉ-SOL-VIDA - Gilberto Gil (WEA)

    Gil não pára. E o tipo de pessoa que descansa carregando pedras. E comparece às prateleiras das lojas de discos com uma freqüência assustadora. Pouco tempo depois do brilhante Raça Humana, Gil acaba de despejar uma trilogia de álbuns que revisa o período de sua carreira que vai de 71 a 81. O naco mais recente de sua obra está no lado A do disco Vida (faixas como "Palco" e "Realce"), enquanto a parte mais interessante está no africanismo do lado B do disco Sol ("Baba Alapalan", "Logunede").

    BOB MARLEY. JAH!
    LEGEND - Bob Marley & the Wailers (WEA)

    Stevie Wonder disse a Gilberto Gil; "Bob Marley estava à frente do seu tempo". Acertou em cheio. As quatorze faixas reunidas nesta compilação do melhor de Marley sublinham seu lugar único na propagação do reggae pelo mundo. Poeticamente incisivo, musicalmente hipnótico, melodicamente brilhante, Marley ainda é hoje, quatro anos após sua morte, o reggae. Palmas especiais para o texto de Timothy White na contracapa.

    PURO POP
    KATRINA AND THE WAVES - Katrina and the Waves (EMI-Odeon)

    Uma garota americana, apaixonada por rock mas de saco cheio com seu país, vai para a Inglaterra, junta-se a um bando de músicos, forma uma banda e retorna aos Estados Unidos com um grande sucesso e um delicioso sabor de vingança nos lábios. Parece a história de Chrissie Hynde e os Pretenders.
    Mas não é. Trata-se de Katrina and the Waves; pop anglo-americano puro, como em ´Walking ou Sunshine" (o maior sucesso do grupo) e "Going Down to Liverpool", já gravada antes pelas meninas do Bangles, outra nova sensação do rock americano.

    ENTENDA UM MOD
    MUDANÇA DE COMPORTAMENTO-Ira! (WEA)

    "Ninguém entende um mod" eles cantam na faixa que leva esse título e, no final, descamba do funk para o maior batucão à Jorge Ben. Mas, se você leu a matéria da pág.47 já sabe do que se trata.
    O Ira! é a versão brasileira, atualizada e passada a limpo, dos mods ingleses - elegância a dar´ com o pau, estilo a se perder de vista e uma mescla de funk e rock tão maciça e musculosa que por pouco não deixa que se descubra o romantismo sonhador das letras.
    Um álbum para os neurônios e os quadris, com adrenalina jorrando desde os primeiros sulcos.

    SEM PERIGO
    EMPIRE BURLESQUE - Bob Dylan (CBS)

    Falou-se muito da atual mutação de Bob Dylan. Ele teria abandonado suas pregações evangélicas por uma - persona - artística bem próxima do Dylan versão anos 60. Bom, na verdade ele mudou. Empire Burlesque é seu disco mais visceral e mais pesado em muito tempo. Auxiliado por artistas como Ron Wooci, Mick Taylor, Kobbie Shakespeare, Al Kooper e Jim Keltner, Dylan soa rejuvenescido e bem disposto. Ajudam bastante, também, as remixagens do genial Arthur Baker. Mas quem esperava a volta do Dylan político prepare-se para uma decepção. A exceção de duas faixas, todo o disco fala de amor. Reagan pode respirar aliviado. Empire Burlesque não oferece perigo.

    NO AR, A REVOLUÇÃO
    REVOLUÇÕES POR MINUTO - RPM (CBS)

    Pensava que já não se fizesse mais discos assim; pungente, dinâmico, vigoroso, revelador e emocionante. O RPM provoca uma verdadeira invasão dos sentidos com letras sensíveis e inteligentes ("Rádio Pirata" e "Revoluções por Minuto"), melodias pop inesquecíveis ("Louras Geladas" e "Sob a Luz do Sol") e poderosas hecatombes sônicas.
    A produção de Luiz Carlos Maluly é suprema, emprestando ao RPM uma sonoridade gorda e moderna sem ser "moderninha".
    A adesão do RPM à ponta do aríete rock que vem arrombando as portas do mercado fonográfico nacional é mais do que bem-vinda. É vital.