Mostrando postagens com marcador Ultraje a Rigor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ultraje a Rigor. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bizz número 2 - Lançamentos I

 
LANÇAMENTOS
 
NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA - Ultraje a Rigor (WEA)
    Já invadiram. A essa altura do campeonato, o primeiro longo do Ultraje é mais que um merecido best seller. Explica-se: amadurecendo seu repertório em uma peregrinação de shows e dois compactos, o grupo estréia como se estivesse lançando os seus "greatest hits".
    Tem gente que vê certo parentesco entre as molecagens de Roger e uma tradição paulistana que vai de Adoniran Barbosa ao Premê e Língua de Trapo. Além disso, eles estão mais para um universalíssimo triângulo amoroso entre Chuck Berry mais Jararaca e Ratinho. Ou seja, você dança e racha o bico - e quando a piada estiver gasta, continua dançando. É só conferir a proibida "Marylou" - segundo Roger, uma canção "didática - infantil, que ensina de onde vêm o leite e os ovos".
    Só uma coisinha: de que música do Police foi chupada a introdução de "Ciúme"? Ou será uma homenagem aos adeptos tupi do "reggae branco"? Cartas para a Redação.
 
YOU´RE UNDER ARREST - Miles Davis (CBS)
    Membro ativíssimo de três revoluções no jazz - a saber, o cool, o be-bop e a fusion roqueira -, Miles dá agora seqüência à sua empreitada funk. E se The Man with the Horn (81) e Star People (82) já garantiam alguns enfartes para puristas e tradicionalistas, este novo trabalho aproxima-se ainda mais do pop. Para começar, uma versão do hit de Cyndi Lauper, "Time After Time" - belíssima para tímpanos sem preconceito. Um estraçalho geral, dançante, mas sempre inventivo e com o superbaixo de Darryl Jones. O sr. Sting comparece com uma "voz de policial francês" na faixa-título.

    Fascinatin’ Rampal - Jean Pierre Rampal (CBS)
    Músico de sólida formação erudita, Rampal é também conhecido por seus passeios na música popular. Neste território consegue brilhar, como o fez na série de melodias japonesas para flauta e harpa, gravada por ele e Lily Laskine e incompreensivelmente não lançada aqui. O mesmo não se pode dizer da audição deste LP, onde ele interpreta transcrições de Michel Colombier para músicas de George Gershwin. Não que se questione seu domínio do instrumento. O que soa estranho é a transcrição para flauta de canções cuja concepção original acaba soando desvirtuada neste instrumento.
    J.E.M.

    WAR - U2 (WEA)
    Editado lá fora em 82, War é o terceiro e o mais militante LP desses bombásticos irlandeses. Uma surpresa para quem só conhece o U2 produzido por Brian Eno em The Unforgettable Fire: aqui, como nos outros discos produzidos por Steve Lillywhite, a potência da banda sobe à tona muito mais crua e básica. No mais, este é também o LP que carrega os dois principais hinos deles - "Sunday Bloody Sunday" e "New Year´s Day". Só que essas gravações ficam meio apagadas depois de suas versões ao vivo registradas com inesquecíveis faíscas no vídeo e no LP Under a Blood Red Sky (que a WEA deve lançar aqui também). Talvez seja no palco que o U2 encontre mesmo sua razão de ser - quem viu o Live Aid, sabe do que eu estou falando. No mais, o sr. Eno transformou água em vinho francês.

    BATALHÕES DE ESTRANHOS -Camisa de Vênus (RGE)
    Já no segundo LP, este peculiar - para dizer o mínimo - grupo quase punk da Bahia continua perseguindo sua marca registrada. Em momentos como "Eu Não Matei Joana D´Arc" (um hit nas FMs!) eles conseguem e, de modo geral, todas as canções e letras trazem o potencial de uma paulada simultânea na testa e no baixo ventre. O problema continua o mesmo do primeiro disco: uma produção tímida, com guitarras mixadas baixo, sem fio ou corte. Alô, produtores, vamos liberar a distorção e a microfonia!

    BACH - CONCERTO ITALIANO, CONCERTOS PARA PIANO, INVENÇOES, VARIAÇÕES GOLDBERG - Glenn Gould (CBS)
    Sua escolha dos andamentos era, em geral, desconcertante; suas gradações dinâmicas, não raro, agressivamente anticonvencionais; e ele tinha o hábito desagradável de cantarolar enquanto tocava. Mas poucos pianistas conseguiram, como Glenn Gould (1932/1984), unir a uma inteligência de execução, que torna claras as mais complexas tramas polifônicas, tão ilimitada capacidade de transfiguração poética. Bach foi o compositor a quem mais se dedicou esse artista, de um perfeccionismo que o levou a trocar a sala de concertos pelo estúdio de gravação. E de Bach são as obras nestes quatro discos.
    L.M.C.

    RATTLESNAKES - Lloyd Cole & The Commotions (Polygram)
    Um escocês obcecado pelos míticos United States da América do Norte, Lloyd Cole escreve versos como "arrume um novo alfaiate, comece a ler Norman Mailer". Seu vocal tem a mesma familiaridade com o de Lou Reed que, digamos, o vocal de Mark Knopfler  com o de Dylan. E, no som, guitarras e violões tecem a tapeçaria junto a violinos e órgâo - ou seja, mais referência ao psicodelismo americano pré-66. Aqui em São Paulo, a faixa-título já é, há um bom tempo, hit de certas pistas de dança. Lá fora, os hits foram "Perfect Skin" e "Forest Fire" (linda). Ao todo, uma trilha sonora perfeita para relaxar, meditar e/ou namorar no sofá.
 
 

Bizz número 2 - Showbizz I

 
CAZUZA E DULCE ESTÃO FREE

    O Barão Vermelho não é o mesmo. Surpreendendo os demais integrantes do grupo, Cazuza anunciou sua partida para a carreira solo - justamente às vésperas da entrada em estúdio para a gravação do quarto LP do Barão. Mas o grupo, até segunda ordem, não irá procurar substituto para o cantor: eles decidiram repartir os vocais principais.
    "Para nós foi uma surpresa total", disse o guitarrista Roberto Frejat. "Mas há dois meses nós e o Cazuza brigamos. Ele dizia que não estava satisfeito, então dissemos que ele deveria sair. Ele resolveu ficar. O grupo estava passando por uma reformulação do seu som e este novo disco seria a primeira amostra - desta vez, ao invés de continuar a predominância da parceria Cazuza -Frejat, cada um do grupo participaria com músicas e arranjos. O Guto, baterista, já tinha até escrito uma letra".
    "Na verdade", continua Frejat, "nós já imaginávamos que isso pudesse acontecer. Só não esperávamos que fosse tão cedo". Por mais que o Barão já viesse se estruturando de uma forma mais democrática, é claro que a saída de Cazuza cau-sará alguns problemas. "Com a saída do nosso letrista oficial", diz Frejat, "vamos ter que tomar cuidado para as letras não perderem a quali-dade - nossa característica" sempre foi termos letras excelentes. Mas o Guto está crescendo como letrista e acho que vai correr bem".
    O quarto álbum do Barão foi adiado e provavelmente sairá em 86. Cazuza, de cama por causa de uma violenta mononucleose, não pôde falar sobre sua saída do grupo, mas sabe-se que ele já está preparando o material para seu primeiro disco individual.
    Aproveitando o embalo, vale lembrar que, duas semanas após o racha no Barão, a vocalista Dulce deixou o Sempre Livre. Por enquanto, nenhum plano além de uma carreira... free.

A PERDA DE CAÍTO

    Carlos Alceu Camargo, o Caíto 29 anos, advogado e agitador cultural, foi figura de proa do under-ground musical paulistano. E, graças à sua modéstia, uma das menos badaladas. O rock e a música negra o encantaram aos 8 anos de idade. De lá veio, encantado, escrevendo para revistas, produzindo para rádio, descobrindo, empresariando e incentivando bandas tomo Ira!, Mercenárias, Muzak e Akira S e as Garotas que Erraram. Um estranho manager, que devorava discos, fitas e shows, cobrando sua parte em música, nunca em dinheiro. Estudava a implantação de um escritório de apoio às bandas inéditas e às do selo Baratos Afins. Preparava-se para tocar sax com o Akira S. No dia 11 de junho lançou seu novo programa na rádio USP, o Novo Testamento, com uma festa-show. De volta para casa, na madrugada, teve um acesso de bronquite e uma parada cardíaca. Entre os muitos órfãos, ainda que sem filhos, deixa o carinho por aquele que foi como veio, puro.

ALELUIA, ALELUIA

    Rumores, boatos e cochicos dão como quase irreversível o lançamento aqui no Brasil, em outubro, dos três LPs dos Smiths de uma enfiada só. A gravadora responsável - a WEA - daria inclusive, seqüência à empreitada com um pacote de doze LPs de independentes Ingleses, que seria lançado no início de 86. Entre eles,Anne Pigalle, Damned e Everthing but the Girl.
    Por falar nos Smiths, o grupo continua com a bola toda, sem perspectivas de murchar. Na eleição dos melhores do ano por leitores do Melody Maker, levaram o troféu de melhor banda, Morrisey foi o mais bem vestido, segundo melhor vocalista e segundo o  cara mais legal (o primeiro foi Bob Geldof, claro). O guitarrista Johnny Marr foi eleito ainda melhor instrumentista. Somando esses resultados com a votação do New Musical Express (principal concorrente do MM), publicada em fevereiro, o resultado é um verdadeiro banho nos grupos que se revezaram nos vários segundos e terceiros lugares: U2 e Eccho & the Bunnymen.

DEAD KENNEDYS VEM AÍ

    Se tudo der certo, em janeiro. Os "Kennedys mortos" estão entre as principais bandas do hardcore, o nu e cru punk californiano.E seu vocalista Jello Biafra - que já foi candidato à prefeitura San Francisco - já se corresponde há um tempão com a tribo punk paulistana. Segundo os responsáveis pela visita, o selo inpendente Ataque Frontal, só falta mesmo acertar o cachê - o que não deve ser difícil, considerando-se que os Kennedys estão "loucos para tocar aqui".
 
NINA APORTA DE DISCO VOADOR

    Acompanhada de sua super banda, treze toneladas em equipamentos e até um disco voador, Nina Hagen desembarca nestas terras no dia 11 de setembro para nada menos que dezesseis apresentações em todo Brasil.
    A tour vem em hora apropriada, já que a CBS acaba de lançar aqui seu novo LP In Ekstasy. E é ele que dará o tom no repertório dos shows, temperados, ainda, com antigas composições. O espetáculo não dispensará nem a performance de dois homens cosmicamente estilizados, que sairão em vôo do OVNI, peça central para ambientação do palco.
    Os responsáveis são os irmãos Sandro e André Luís Sameli e seu sócio em Los Angeles, Jimmy Martins, os mesmos que a raptaram do Rock in Rio para a danceteria paulista Latitude 3001 em janeiro passado.
    A primeira apresentação será em São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera, com preços previstos entre três e cinco dólares. A partir dai, outros estados brasileiros e América Latina.

STONES NO ESTÚDIO (E MUITO MAIS...)

    É isso aí. Encerrado seu rodopio solo, Mick Jagger está reunido com seus colegas de trabalho e o compositor Steve Lilywhite (U 2, Simple Minds) em Nova York, finalizando o sucessor a Undercover (83). O lançamento mundial do novo LP (Brasil, inclusive) está previsto para dezembro. Vale lembrar ainda que Keith Richard participa do novo LP da bombástica funkeir a Nona Hendryx.
    Mais movimentação de estúdio lá fora. Previsto para início de 86, o Yes vem com um disco produzido pelo infatigável Nile Rodgers. Outro retorno de peso: depois de três anos longe do estúdio, os Dexy´s Midnight lançam seu terceiro LP, Don´t Stand Me Down. Ainda: o ecumênico Afrika Bambaataa - depois de dois históricos compactos, com James Brown, outro com o ex-sex pistol John Lydon - vai gravar com Bob Dylan. A dupla aparece ainda, com Dylan na gaita, no LP da maior seção rítmica da Jamaica, quiça da Galáxia. Estamos falando de Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, claro eles já tocaram aqui com Peter Tosh). Outras participações este lares: Herbie Hancock e o supersaxofonista africano Manu Dibango. Atenção, gravadoras: o LP é do selo Island.

OUÇA ESSA

    Provável título do próximo LP de Lobão e seus Ronaldos: Saudades da Ditadura ou Até aí Morreu Neves.

ROTH DESPEDIDO DO VAN HALEN

    Se você esperava a volta do Van Halen para qualquer momento, pode sentar. E continuar esperando.
    Eddle Van Halen garantiu à revista Rolling Stone que a banda,"do jeito que todos a conheciam até agora", acabou. "Dave se mandou para virar astro de cinema", vociferou Eddie "e ainda teve peito de me pedir que escrevesse trilhas.sonoras para o filmes dele! Pouco me importa o que ele diga - já estou procurando outro cantor para substituí-lo. Além do mais, Dave não seria capaz de cantar muitas músicas novas que compus - ele só consegue se dar bem gritando nas músicas. Se ele não consegue gritar, está frito!"

A GENTE SOMOS AMIGOS

    O Ultraje a Rigor já confirmou sua participação na música "Sokobaya" do segundo LP da Esquadrilha da Fumaça, que sai em outubro pela Baratos Afins. Além disso, Roger e cia. estão tocando "Louras Geladas" em seus shows, enquanto o RPM faz o mesmo com "Ciúme". Eles estão, inclusive, fazendo seus shows em teatro, com direção por conta do seco, molhado e emplumado Ney Matogrosso. E dando seqüência à série "Parcerias Ilimitadas", Branco (Titãs) e Lobão estão compondo juntos.

 
.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Bizz número 1 (agosto - 1985)

Mais uma raridade pra gente relembrar. Resolvi postar uns anúncios da época que saíram na revista. Alguns de som, discos da época e uma curiosidade, o 'compact disc', o nosso CD de hoje... 

Com vocês, a Revista Bizz número 1, de agosto de 1985!

Divirtam-se!!


O MELHOR DOS NOVOS LANÇAMENTOS

    Neste mês BIZZ dá a você um compacto com trechos de músicas que acabaram de ser gravadas. Neste Trailer Disc, você encontra:

    Aa
    1. Os Eurythmics acabam de ter dois LPs lançados agora no Brasil, Be Yourself Tonight e a trilha sonora do filme 1984. Deste último é a belíssima "Sexcrime´, um dos maiores hits do ano passado na Inglaterra (Lançamento RCA).
    2. O Ultraje a Rigor finalmente tem um LP para seu rock direto e bem-humorado. Intitulado Nós Vamos Invadir a Sua Praia, um dos destaques do disco é "Ciúme" (Lançamento WEA).
    3. O Marillion, grupo inglês da nova geração do rock progressivo, prova que também sabe (e como) compor para o formato "canção pop". "Kayleigh" está no lado A do último compacto do grupo editado lá fora (Lançamento EMI Odeon).
    4. O Harppia, na linha de frente do heavy paulista, estréia em LP com o título A Ferro e Fogo. "Salem´, a faixa extraída, evoca uma cidade mítica onde reinava a magia negra (Lançamento Baratos Afins).

    Bb
    1. Talking Heads com "The Lady Don´t Mind". Após o estouro internacional do disco e do filme Stop Making Sense registros da última excursão da banda -. vem aí Little Creatures, sua última façanha em estúdio. Um afro-funkaço de caro assoalho (Lançamento EMI-Odeori).
    2. Sossega Leão, a superbanda paulista especializada ritmos caribenhos de entortar os quadris, com "Ninguém 1". A faixa pertence ao LP de estréia do grupo, Aqui Habit Leões (Lançamento Continental).
    3. A Gang 90 volta à ativa, produzida por Ezequiel Neve "Rosas e Tigres´, a faixa-título do LP, traz a assinatura do fundador Júlio Barroso, o pioneiro da wave brasileira morto no ano passado (Lançamento Som Livre).
    4. Alice, aquela linda holandesa que já cantou e dos com a Gang 90 de Júlio e os Ronaldos de L agora em carreira solo. ´24 Frames Per Second está no seu primeiro compacto, que conta ainda com as participações de Lobão e Herbert Vianna - bateria e guitarra, respectivamente (Lançamento WEA).


BIZZ

    O aumento de público nos shows e nas danceterias, a proliferação dos programas de videoclips e a recuperação da indústria de discos deixaram clara a necessidade da criação de uma nova publicação. Uma publicação que andasse junto com a música e a imagem em suas mais diversas manifestações.
    Para isto nós fizemos BIZZ.
    Para acompanhar todos os movimentos ligados à música jovem, aqui e lá fora. Com informação séria e detalhada, em coberturas de shows e reportagens, e opinião equilibrada, em colunas e seções que vão manter você em sintonia.
    BIZZ, como você vai ver nas páginas seguintes, é vitalidade, garra e antenas ligadas.
    E uma revista feita para você divertir-se muito e estar sempre bem informado a respeito da música popular mundial.